Aquilombar-se para existir
reexistência negra e produção de sentidos no Movimento Quilombada
DOI:
https://doi.org/10.55547/jrese.v4i1.47Palavras-chave:
Quilombada, Movimento Negro, Reexistência, Educação PopularResumo
Este artigo analisa as práticas do coletivo negro Quilombada, atuante na Chapada da Ibiapaba (CE), compreendendo o aquilombamento como gesto político de resistência, reexistência e produção de sentidos. Fundamentado na psicologia social crítica, especialmente nos aportes de Donna Haraway e Michel Foucault, o estudo adota uma abordagem qualitativa e situada. A investigação foi desenvolvida por meio de entrevistas semiestruturadas com oito integrantes do coletivo e registros de campo em encontro cultural, priorizando histórias de vida, memórias afetivas e trajetórias de militância. A análise do discurso permitiu compreender como o Quilombada transforma dor em linguagem, arte em território de insurgência e ancestralidade em horizonte de pertença. Os resultados evidenciam que o coletivo, fundado majoritariamente por mulheres negras, articula dimensões de arte, educação popular e cuidado comunitário como tecnologias de resistência frente ao racismo estrutural, à necropolítica e às opressões de gênero e classe. O estudo conclui que o Quilombada constitui um espaço formativo e político, no qual a práxis coletiva e os afetos produzem saberes encarnados e microrresistências cotidianas, reafirmando a centralidade do Movimento Negro na luta por novos modos de existir e de reorganizar a vida em comunidade.
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